Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira.
Visite o blog.
“Quando as ovelhas estão indefesas, os lobos atacam!”
Antigamente, num tempo em que o PSB era instrumento de transformação da sociedade, tempo em que os partidos políticos eram posicionados em trincheiras demarcadas pela visão ideológica defendida aberta e desassombradamente; naquele tempo, os dirigentes e líderes políticos zelavam por sua dignidade e coerência, muitas vezes ameaçando até mesmo sua sobrevivência pessoal e familiar.
Naquele tempo, a Política era tida como atividade gregária máxima, e os partidos não eram balcões de negócios ou franquias visando o enriquecimento de grupos. Era um apostolado. O militante tinha de ser estóico. Não por dever, mas por vocação. Não escolhia seu destino, porquanto era um escravo das massas trabalhadoras ou excluídas. Representavam os interesses dos famélicos, dos desvalidos.
A grande questão filosófica que compartilho com o caro leitor é: atualmente, nestes tempos pós-modernos, quando tudo é descartável, ainda é preciso ter coerência?
Essa questão assume relevância a partir de um inusitado e recente fato político ocorrido em nossa capital. Falo das estranhas e incoerentes adesões de dois dirigentes, repito, dirigentes (não simples militantes de base) do Partido Socialista Brasileiro ao governo municipal do Partido Verde.
É bom que fique claro que falamos de ocupação de espaço político, e não de empregos por razões de sobrevivência; o que pode ser claramente comprovado pela posição social dos dois dirigentes, são pessoas bem sucedidas social e economicamente, não precisam de empregos.
Afirmar que se trata de decisões pessoais “para ajudar a administrar Natal” é tripudiar com a nossa inteligência, cidadãos eleitores, observadores da cena. Acreditar que os dois dirigentes são inocentes e competentes técnicos, desinteressados politicamente, é sinal de ingenuidade ou até de demência precoce.
A incoerência é tamanha que detentores de mandatos eletivos do próprio PSB vieram a público para exigir a expulsão dos citados dirigentes, como se observou no posicionamento do líder da bancada do PSB na Câmara Municipal, vereador Júlio Protásio; escancarando um evidente racha entre seus membros.
O que, efetivamente, se esconde por trás dessas “adesões” de dirigentes do PSB ao projeto político do Partido Verde, para o qual fizeram – publicamente - grande esforço de oposição, lutaram contra, e não ajudaram a construir?
Será que o “filho adotivo”, cria política, e fiel seguidor da ex-governadora, Cláudio Porpino, tomaria essa decisão de aderir à administração (e ao projeto político) da prefeita Micarla, com total autonomia e independência? Sem qualquer orientação ou consulta à liderança maior do seu grupo político?
Ou, será que a adesão “inexplicável” de Cláudio Porpino e Vagner Araujo faz parte de uma “estratégia” do PSB local, qual seja a de colocar duas “cabeças de ponte” dentro da equipe de Micarla, com o objetivo de passar informações privilegiadas para a provável candidatura (legítima) de Wilma em 2012; ou seja, para trair a Prefeita Micarla e o seu projeto de reeleição, e viabilizar a ex-governadora como prefeita da capital pela quarta vez?
Será que a Prefeita Micarla de Souza realmente confia e acredita na possibilidade de que os dirigentes do PSB defenderão bravamente o seu projeto político doravante, ou os convites e as nomeações foram apenas um movimento de peças no tabuleiro do complicado jogo da política local?
Afinal de contas, ao menor sinal de vacilo dos adesistas incoerentes, a prefeita Micarla tem sempre ao alcance da mão uma caneta cheia de tinta, e o poder de demitir ad nutum, a qualquer tempo. Qualquer governante sabe que somente se convida quem se pode demitir. Todavia, nesse caso extremo, há que se perguntar também: qual será o ganho político da atual Burgomestra com essa manobra arriscada?
Será que o atual isolamento político da Prefeita Micarla agravou-se a tal ponto que está obnubilando sua mente, reconhecidamente arguta e perspicaz?
Quando o cenário estiver bem definido para os embates de 2012, de que lado lutarão os dois dirigentes históricos do PSB, adesistas repentinos e fora do comum? Ao lado da guerreira Wilma de Faria, que foi prefeita de Natal em três mandatos, foi governadora e liderou o seu grupo por duas décadas, a quem os dois adesistas devem oportunidades de servir ao povo de Natal e enriquecer suas biografias; ou ao lado da atual prefeita, a quem sequer conseguem identificar sintonia de idéias ou história de lutas em comum?
Em todo caso, relembro que, em qualquer situação, mentir é, certamente, um dos mais graves erros que se pode cometer na vida publica. Mais que um erro, mentir é uma falha ética grave. Implica conseqüências muito sérias. E a conclusão é privilégio do caro leitor.
Blog da Opnião Política
Comentários 0 Comments