Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira.
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Uma nova ética para a gestão urbana
"Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, mas não há mais muito tempo pra sonhar"
(Engenheiros do Hawaii - Veja o vídeo. )
(*) Rinaldo Barros
Acabou de chegar da editora um novo livro meu. Na verdade, uma plaqueta, que escrevi em forma de artigo comentando a tese que defendi no Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, o qual concluí na UFPR, em Curitiba, no inicio deste milênio, no ano da graça de 2000.
Descobri que a tese defendida há uma década encontra-se surpreendentemente atual. Mas, constatei também que ela despertou pouca atenção dos gestores, urbanistas e técnicos do planejamento, em que pese o meu esforço de tê-la publicado em formato de livro.
Nele, o livro, falo de questões sociais, miséria e riquezas mal empregadas, educação insuficiente, fronteiras invisíveis, urbanização acelerada, espaços desiguais e uso injusto e inadequado do solo urbano. Questões que, em geral, não são enfrentadas com eficácia pelos órgãos de “planejamento”.
As autoridades municipais, invariavelmente, justificam o caos estabelecido como conseqüência do “desenvolvimento” da cidade. Subitamente, a metrópole subdesenvolvida passou a padecer dos desconfortos das grandes cidades. Obra do acaso? Estamos condenados a crescer cercados de desigualdades? Usurpados de serviços mínimos de saúde e educação? Sem infra-estrutura? Vitimados por problemas de ordem ambiental causados pela falta de saneamento básico e drenagem, pelas ocupações indevidas e descontroladas? Atormentados pelo trânsito cada dia pior?
Não é novidade que o nosso espaço urbano foi e continua sendo apropriado à margem da legislação, dos planos diretores, das leis de uso e ocupação do solo e isto não apenas nas áreas periféricas, mas também nos bairros ditos nobres.
O texto da tese por mim defendida esclarece que sofremos as conseqüências de abordagens puramente técnicas que se pautam, sobretudo, pela “produtividade individual”, modelo historicamente determinado de gestão urbana que resulta no atual quadro de insustentabilidade das nossas cidades.
Minha luta é tentar provar que, por trás das nossas improvisadas cidades, não existem acasos. Existe, isso sim, uma abordagem técnica que não dá conta da diversidade sócio-ambiental urbana, aliada à fragilidade institucional das nossas prefeituras.
O que propomos é que o planejamento seja fundado no critério da “produtividade social”.
A formulação dessa tese, desse conceito integrador, conduziu-me a reflexões sobre o nosso tempo.
Lembro uma vez que um aluno perguntou-me: - “professor, por que o senhor escreve?” Recuperado do susto, porquanto nunca havia pensado nessa questão, respondi que escrevia para fugir à minha própria solidão.
Será que, como se fora um “gênio incompreendido”, continuo solitário em minhas elucubrações sobre a vida e o futuro?
Outra pergunta que me vem à mente: “para onde vai, ou já foi, o ‘livre pensamento crítico”?
A resposta imediata que emergirá à mente do sarcástico é: para o inferno!
Além de não ser uma resposta academicamente aceitável, esta resposta pode sugerir que o sarcástico é também ideologicamente um reacionário, contrário a qualquer mudança.
Há também lugar para os ressentidos, os desalentados e os oportunistas de última hora.
O fato é que o mundo gira e os fantasmas do passado assaltam as mentes dos que vivem o presente.
Movido pela certeza de que tenho algo novo a propor, o qual pode ser importante para a construção do futuro, decidi trazer à luz novamente o mesmo debate proposto em 2000, sobre “Uma Nova Ética para a Gestão Urbana”, agora em formato de plaqueta, um texto bem menor e ilustrado com fotos, com a esperança de capturar leitores críticos, até porque foi escrita com a consciência de que pensar uma cidade é inscrever-se em um movimento histórico, receber a carga de uma continuidade, com a responsabilidade de compreender o presente para aumentar as chances do futuro.
O lançamento será dia 30 de junho, na Livraria Siciliano, do Midway. Você é meu convidado.
Rinaldo Barros é professor da UERN e presidente do PSDB Natal – rb@opiniaopolitica.com
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