Opnião Política

Rinaldo Barros

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    ARTIGO DE RINALDO BARROS

    Qualidade de vida em Natal

    “Ser Culto para ser Livre” (José Marti)

     

    (*) Rinaldo Barros

     

    Qualidade de vida não é um bem durável que possa ser estocado para consumo futuro. Nem uma conquista definitiva da sociedade. Trata-se, antes de tudo, de um bem público altamente perecível, que se deteriora ao menor descuido.

    Os bens públicos têm como características básicas: a não-exclusividade e a não-rivalidade. Nenhuma pessoa pode ser privada ou excluída de usufruí-los. Se a qualidade de vida tem essa natureza de bem público, então deve ser garantida igualmente a todos.

    Natal é uma das cidades que oferece melhor qualidade de vida aos seus habitantes. Mas apenas uma parte dos natalenses (a menor) desfruta hoje dessas condições privilegiadas que se aproximam dos padrões do Primeiro Mundo.

    No entanto, nossa cidade continua reproduzindo o mesmo quadro de profundas desigualdades que divide o Brasil. São abundantes os estudos acadêmicos que acentuam o caráter dual da sociedade brasileira, virtualmente cindida em duas nações: uma muito rica, formada por uma minoria com padrões de consumo altamente sofisticados; outra muito pobre, que reúne a maioria da população, excluída dos benefícios do desenvolvimento e do consumo dos bens básicos da cidadania.

    Nas últimas décadas, Natal experimentou um processo de acelerado desenvolvimento. No entanto, ao lado das inegáveis realizações urbanísticas desse período, é preciso reconhecer que ainda é preciso avançar muito mais na área sócio-cultural.

    A prioridade dos governos municipal e estadual, a partir de 01 de janeiro, é a universalização de bens e serviços sociais de qualidade (planejamento, cidade limpa, qualificação profissional, saúde, educação, informação, tecnologia, transporte público de massa, esporte, lazer e muito investimento no fortalecimento da identidade cultural de nossa gente). Significa, em outras palavras, ter como meta assegurar a todos o padrão de qualidade de vida que hoje é desfrutado pela classe média alta e pela elite.

    A atual modernidade excludente levará inevitavelmente ao esgarçamento dos vínculos de solidariedade e ao recrudescimento da violência urbana, sintomas que já estão evidentes em nosso país.

    O outro caminho que Natal pode (e deve) escolher, para ingressar, realmente,  no Século 21, pressupõe uma "nova forma de modernização", que tenha como seu objetivo central o fim da exclusão social, econômica, política e, principalmente, cultural, integrando sua população em uma única sociedade.

    Essa opção implica em reinventar a própria idéia de modernidade.

                Sob esta nova ótica, modernidade será, por exemplo, levar saneamento básico para os cerca de 70% de domicílios de Natal que ainda não dispõem de rede de esgoto, promover a regularização fundiária de milhares de imóveis irregulares, assistir crianças e adolescentes que ainda se encontram em condições de risco (notadamente, combater a epidemia do crack), disseminar a prática da solidariedade e da Cultura da Paz em todos os segmentos e combater a exclusão por todos os meios: associativismo, cooperativismo, capacitação profissional e difusão cultural.

    Entretanto, não se trata de uma escolha qualquer que possa ser feita sem maior responsabilidade cívica.

    Sem menosprezar o que já foi conquistado, advogamos que, para não sacrificar estas conquistas, é preciso ampliá-las de tal forma que toda sociedade seja beneficiada.

    Para tanto, será indispensável consolidar a parceria entre a Prefeitura do Natal e o Governo Estadual, assegurando definitivamente as condições para o desenvolvimento.

    A universalização das condições mínimas de bem-estar é o desafio que Natal e o Rio Grande do Norte têm no presente e do qual depende o seu futuro. Neste desafio, é preciso compreender a importância fundamental da dimensão cultural (preservação e valorização da memória, do patrimônio histórico, do folclore; incentivar o letramento e a edição de livros, bem como, consolidar o “casamento” com a educação) tudo para assegurar a construção da cidadania.

    É o desafio de todos. A começar pelo voto consciente em 2012.

     

    (*) Rinaldo Barros é professor e presidente do PSDB Natal – rb@opiniaopolitica.com

     

     

    • 18 December 2011
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