Opnião Política

Rinaldo Barros

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    ARTIGO DE RINALDO BARROS

    Nova classe média ou Consumidores endividados?

    (*) Rinaldo Barros

    O resultado do Censo 2010 indica 190.732.694 pessoas para a população brasileira em 1º de agosto, data de referência (IBGE - http://www.ibge.gov.br/). Se considerarmos que, em 2011, houve o mesmo crescimento da média da última década, tivemos um incremento populacional de 2 milhões de almas, nestes 12 meses pós Censo. Formamos hoje, portanto, um contingente de 192.732.694 brasileiros.

    Ora, o Datafolha constatou em pesquisa recente que o Brasil possui 90 milhões na badalada “nova classe média” (os que vivem com mais de 3 salários mínimos, e têm acesso ao crédito para comprar eletrodomésticos e carros populares, com prestações a perder de vista).

    Se somos 193 milhões, a maioria - mais de 100 milhões - ainda continua sem ter certeza se vai almoçar amanhã, ainda se encontra mergulhada na pobreza e na miséria.

    Não dá pra afirmar– como exagerou o Datafolha - que “o Brasil é de classe média”.

    Até há pouco tempo classificados como pobres ou muito pobres, esses 90 milhões de “novos consumidores” melhoraram de vida e começaram a usufruir vários confortos típicos de classe média. Sua ascensão social revela uma novidade: pela primeira vez na História, esses segmentos crescem sua capacidade de consumo no Brasil. São hoje 47% da população (eram 44% em 2002), conforme estudo da FGV.

    Sem dúvida, essa população emergente, com seu desejo de continuar a consumir e seu foco no progresso pessoal, é um sintoma de que o Brasil está melhorando. Em todos os países que alcançaram um alto grau de desenvolvimento econômico e social, a maioria dos habitantes pertence às camadas médias.

    Conhecer este fenômeno é, portanto, fundamental para entender o futuro do Brasil. Quem são essas pessoas? Como melhoraram de vida? Que impacto podem provocar? Quais desafios trazem para o país?  

    A população brasileira aumentou, mudou do ponto de vista educacional e atravessou uma revolução demográfica que reduziu o tamanho da família. Essa dinâmica cria a possibilidade de expansão da economia, movimenta o mercado interno e põe mais gente no elevador social.

    Todavia, é importante compreender que a expansão da classe média e a redução da desigualdade de renda não é fenômeno ocorrido apenas no Brasil. Ele vem ocorrendo simultaneamente - e de forma acelerada - em todas as economias emergentes, sobretudo na China e na Índia.

    A explosão da classe média teve início há cerca de dez anos, ainda não atingiu seu pico e, se a crise deixar, deve durar pelo menos mais dez anos. Um estudo recente do banco de investimento Goldman Sachs – intitulado O Meio que Cresce - estima que, até 2030, 2 bilhões de pessoas terão se juntado à “classe média mundial”, conceito que, para o Goldman Sachs, inclui pessoas (e não famílias) com “rendimento pessoal mensal” entre US$ 500 e US$ 2.500 (no Brasil isso seria entre R$900,00 e R$4.500,00).

    Por sua vez, os analistas Dominic Wilson e Raluca Dragusanu, que assinam o relatório, estimam que, em 20 anos, essa classe média, bem mais restrita que a descrita pelos otimistas cálculos brasileiros, será 30% da população mundial.

    De outro ponto de vista, constatamos que o mundo inteiro é diariamente marcado por manifestações que refletem a insatisfação popular contra a ordem econômica, a qual se contrapõe aos interesses da maioria da população.

    Da Tunísia ao Egito, passando por Espanha e Chile. Esse sentimento é canalizado pelo movimento “Ocupe Wall Street”, são protestos anticapitalistas que se espalham por várias cidades estadunidenses, e culminou com o Dia de Ação Global (outubro de 2011), que mobilizou centenas de milhares de pessoas em 900 cidades de 82 países.

    Essas manifestações podem ser sintetizadas pelo slogan “Nós somos os 99%”, com a máscara do “V” de Vingança simbolizando que a maioria da população se sente oprimida por uma pequena e privilegiada elite política e financeira. Menos no patropi, é claro, onde todo dia jorra leite e mel e o sabiá canta maviosamente.

    Aqui, no patropi, como sói acontecer, há uma tendência de forçar a barra para construir um novo “conceito técnico”, a partir da “renda familiar” de R$1.500,00 em diante, aliada ao endividamento no médio prazo; redesenhando o perfil dos consumidores de bens e serviços, e tentando fazer acreditar – quase irresponsavelmente – que a economia vai continuar em crescimento contínuo e sem crise ad perpetuam rei memoriam.

    Tudo com um objetivo pragmático muito claro: longe de fundar uma nova classe média; pretende a atual elite política e financeira brasileira, isso sim, continuar anestesiando a plebe ignara e enganando os incautos - endividados - até as próximas eleições.

     

    (*) Rinaldo Barros é professor e pesquisador – rb@opiniaopolitica.com

    • 22 January 2012
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