Opnião Política

Rinaldo Barros

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    ARTIGO DE RINALDO BARROS

    Educação ou Barbárie!

    (*) Rinaldo Barros

    A educação no Brasil vai mal. Nosso país está atrasado nesse quesito, perdendo até para países vizinhos. O que os argentinos e os uruguaios fizeram, a partir de meados do século 19, nós começamos fazer na segunda metade do século 20. Temos um atraso histórico de 100 anos em relação a nossos vizinhos.

    De acordo com o último Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp 2010), que mede os conhecimentos dos estudantes do Ensino Fundamental e Médio da rede estadual nas disciplinas de língua portuguesa e matemática, os resultados pioraram em 2010. Mesmo partindo de notas baixíssimas em 2009.

    Se o Estado mais rico do País não consegue melhorar sua educação, dá pra imaginar o desempenho dos demais, com menos recursos.

    A propósito, em recente evento “Agenda para Mudanças Curriculares do Ensino Médio”, que debateu as dificuldades do nosso sistema de ensino, realizado em Natal, a governadora Rosalba Ciarlini disse que o Rio Grande do Norte enfrentou um “apagão” no seu sistema de ensino durante os últimos anos.

    “Nosso RN teve um apagão na educação. Isso é muito doloroso de se dizer, mas lembro um sonho que foi de Djalma Maranhão, “De pé no chão também se aprende a ler”. Eu espero que esse sonho esteja apenas adormecido e nós possamos reavivá-lo”, disse a governadora em seu discurso no seminário.

    Rosalba parafraseou o deputado Rogério Marinho, idealizador do debate, que defendeu mudanças no atual sistema educacional, como forma de garantir aos jovens, ainda no Ensino Médio, um aprendizado técnico que lhe garanta espaço no mercado de trabalho.

    A educação é a base que falta para que o Brasil deixe de ser um país de desigualdades sociais e econômicas. Ou seja, nosso futuro depende da grande maioria desinformada e despreparada para discernir o que é melhor para si e para a nação. Estamos na encruzilhada do labirinto.

    Os pobres estão naufragando a partir da 4ª série, eles param de estudar, não porque tenham de trabalhar, mas porque sentem que não estão aprendendo nada. Essa é a nossa tragédia!

    No atual estágio de desenvolvimento econômico, estamos sofrendo com a carência de profissionais qualificados nos mais diversos setores e regiões do Brasil. É o caso da construção civil, do setor elétrico, da informática, do turismo, entre outros.

    Os poucos engenheiros e técnicos estão sendo disputados pelas empresas, que vão até os locais de trabalho, quase em desespero, para fazer ofertas vantajosas de emprego.

    As empresas que não conseguem elevar os salários para reter seus talentos acabam tendo uma alta rotatividade de funcionários ou tendo que se contentar com pessoal sem qualificação. Investir em treinamento interno é uma saída provisória, mas é preciso manter programas de incentivo e motivação, caso contrário, a empresa torna-se apenas uma “escada” para outros empregos.

    Este apagão de talentos deixou as empresas em situação de alerta, já que os salários tendem a aumentar e o nível de escolaridade dos contratados tende a diminuir. Quando as exigências diminuem, aumenta a necessidade de capacitação; caso contrário, a empresa corre o risco de perder competitividade e, nós, consumidores, seremos os que mais sentirão os resultados negativos deste apagão. Onde está a saída?

    O país precisa adotar medidas duras, mas que não penalizem ainda mais a população, que estimulem o setor produtivo e melhorem a situação de competitividade interna em um ambiente externo hostil.

    A prioridade zero é, sem sombra de dúvida, uma Reforma do Ensino Médio, para torná-lo adequado à realidade dinâmica do mercado de trabalho. Sem esquecer que essa meta não será atingida sem investimentos pesados na base da pirâmide, no Ensino Fundamental.

    Lanço aqui uma tese/desafio: todas, eu disse todas, as escolas brasileiras devem integrar, por Lei, uma única Rede Federal gratuita e obrigatória de ensino, reservando-se à iniciativa privada apenas o Ensino Superior. Com a concomitante elevação dos investimentos em educação para um percentual de 10% (dez por cento) do PIB.

    Somente assim, conseguiremos universalizar a experiência de sucesso do nosso vizinho Estado do Ceará, onde o Governo de Cid Gomes, de forma exemplar, assumiu a tarefa de melhorar a qualidade da educação nas escolas municipais, com controle e avaliação de desempenho, e combate à ideologia do corporativismo sindical. A propósito, quando foi que o leitor viu uma greve pela qualidade na educação?

    É a Reforma ou a Barbárie!

     

    (*) Rinaldo Barros é professor da UERN e presidente do PSDB Natal – rb@opiniaopolitica.com

    • 17 August 2011
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