Opnião Política

Rinaldo Barros

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    ARTIGO DE RINALDO BARROS

    Febre da urbanização

    (*) Rinaldo Barros

                A conversa de hoje é uma tentativa de estabelecer uma relação entre as crises atuais do sistema capitalista e o que se pode entender como “febre da urbanização”; tese defendida por David Harvey, um geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. Harvey é professor da City University of New York, e trabalha com diversas questões ligadas à geografia urbana.

                Reconhecido internacionalmente, Harvey estudou a relação entre as crises financeiras e urbanas. Ele sustenta que a sucessão de crises no sistema econômico global é alimentada, entre outras coisas, por uma febre da construção que, por sua vez, provoca crises cada vez mais graves, em sua atual etapa hegemonizada pelo capital financeiro (na contramão do que deveria ser um processo de desenvolvimento humano sustentável).

    Também existe uma preocupação nos Estados Unidos de que a crise imobiliária impeça a sua recuperação, apesar de todas as tentativas que vêm sendo feitas para isso.

    Outra questão é que a forma de uso intensivo da energia (nos centros urbanos) estaria criando um estilo de vida de lugares dispersos. Isso está estabelecendo, justamente, um novo tipo de urbanização, o qual exige gigantescos e renovados investimentos em infra-estrutura.

    O que chama a atenção é que a China está copiando o mesmo estilo dos EUA, o que é muito estúpido. Simplesmente, isso não é sustentável do ponto de vista ambiental.

    Ou seja, é possível afirmar que existe uma alta conexão entre desenvolvimento capitalista, crise capitalista e urbanização.

    O capitalismo não pode funcionar sem sua infra-estrutura típica: estradas, portos, aeroportos, pontes, túneis, edifícios e fábricas. A grande pergunta é como se constroem essas infra-estruturas e em que medida contribuem para a produtividade no futuro.

    Nos Estados Unidos, fala-se muito de pontes que vão a lugar nenhum. Há interesses muito grandes dos lobistas da construção que querem construir não importa o quê. Podem corromper governos para fazer obras que não terão nenhuma utilidade.

    Qualquer semelhança com a situação aqui do patropi não terá sido mera coincidência. Basta considerar os últimos lances das demissões de ministros por corrupção, e o obsessivo interesse de alguns partidos em continuar controlando os ministérios com grandes orçamentos para a construção das mais diversas obras.

    Pois bem. Na matriz, a corrupção é mais sofisticada, mas existe, envolve bilhões de dólares, e alimenta as crises do sistema.

    Uma parte da explicação da crise na Grécia e na Espanha pode ser vinculada com esses péssimos investimentos em infra-estrutura. A Grécia é um caso típico também em função dos Jogos Olímpicos, que originou grandes obras de infra-estrutura que agora não são usadas.

    Fico assuntando se não estamos na iminência de correr o mesmo risco com as construções dos estádios e obras de mobilidade urbana em função da Copa 2014.

    Harvey aponta a crise do início dos anos setenta como um período de transição de um padrão de acumulação capitalista rígido (o fordismo e suas forças produtivas)  para os novos modos de acumulação do capital (a “acumulação flexível”).

    Muito interessante observar como Harvey explora a ligação com as novas práticas e formas culturais, considerando: a contribuição das novas tecnologias, o surgimento de uma prática de descartabilidade das coisas, o papel do consumismo, da moda e da manipulação de opinião e gosto, a partir da construção de novos sistemas de signos e imagens, na construção de falsas necessidades de consumo.

    O autor tece uma rede de ligações entre estas mudanças ocorridas, o modo como tais trocas se deram e a diversificação dos valores de uma sociedade que, para Harvey, se encontra em vias de fragmentação. Eu diria que nossa sociedade vivencia uma tendência suicida, na direção do individualismo e da competição exacerbada.

    Cá no meu canto, ingenuamente, ainda acho que devemos pensar, objetivamente, no que realmente necessitamos para ter uma boa qualidade de vida.

    Vibro quando imagino que é possível nos apropriar da tecnologia da informação e comunicação para construir redes solidárias, que articulem experiências e práticas testadas historicamente, construindo para a nossa terra uma alternativa humanizadora, inclusiva, democrática e cidadã.

    Sonho com a metrópole digital, vislumbro a implantação do e-governo, o governo inteligente, onde o Prefeito da capital estará conectado permanentemente com seus auxiliares, outros prefeitos, outros níveis de governo e com o Terceiro Setor, em tempo real.

    Seria como nos redimir da febre da urbanização, reconciliando nossa sociedade com o seu futuro.

     

    (*) Rinaldo Barros é professor da UERN e presidente do PSDB Natal – rinaldo.barros@gmail.com

     

    • 16 September 2011
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