Publicado originalmente no site Kallina Kelly, jornalismo em foco. http://www.kallynakelly.com.br/ Professoras acusam descaso da prefeitura sem precedentes na história da educação da capitalProfessores da rede municipal de ensino público de Natal vão à Câmara de Vereadores revelar aos natalenses a situação caótica e humilhante que os profissionais da educação vivem há dois anos e sem precedentes na capital. A Audiência Pública que foi proposta pelo Vereador Professor Luis Carlos, aconteceu na última quinta-feira (18), não contou com a participação do Secretário de Educação nem de nenhum representante da pasta. Foram muitas as denúncias. Entre elas, os CMEIs tão amplamente divulgados pela milionária propaganda da Prefeitura são uma farsa. O CMEI Kátia Fagundes, no alto da candelária, que foi cenário dessa grande propaganda é um exemplo desta mentira. Trata-se de uma casa alugada, sem as adaptações necessárias para acolher crianças, inclusive com degraus em sua entrada, um parque de 12m2, insuficiente. Toda a estrutura física deste CMEI coloca em risco a faixa etária ali atendida. Os CMEI de Ponta Negra são três. Um deles funciona em prédio alugado também deficiente e outro fechou as portas. São mais de 150 crianças prejudicadas. Um CMEI com seis salas de aula, construído no final de 2008, na ZN, está até hoje de portas fechadas, quando na comunidade da África um número excessivo de crianças sem acesso à educação. Ou seja, a situação dos alardeados CMEIs de Micarla é que são maquiados por fora e um desastre por dentro. A falta de acessibilidade aos alunos que se acidentam com freqüência e caixas d´água com vazamentos e estrutura física comprometida, são alguns dos muitos problemas não mostrados pela propaganda. Segundo os professores, nos últimos anos a educação vinha progredindo, mas desde 2009 a situação é caótica. A prefeitura que deveria repassar os recursos assegurados pela lei, a cada 10 dias, para a secretaria de educação, não repassa e decidiu concentrar na Secretaria de Planejamento todos os recursos, o que é uma ilegalidade. Outra denúncia é com relação a merenda escolar. Os educadores lembram que a prefeita quando candidata disse que a merenda seria prioridade e que a educação oferecida pelo município seria estendida aos lares dos alunos. Mas a realidade é outra. O que acontece é o inverso. Os alunos estão trazendo a merenda de casa, o que causa constrangimento àqueles alunos e pais que não têm condições de enviar merenda para a escola. O dinheiro da merenda é uma rubrica específica. E cadê os recursos para a merenda escolar? Na propaganda da prefeita ainda candidata ela também alardeou que os alunos iriam receber dois fardamentos escolares. A realidade é que as crianças estão sem receber o fardamento. As escolas do município estão vivendo praticamente somente dos recursos proveniente do FNDE, afirmam os professores. Os professores denunciam o descaso da prefeitura com a educação alegando que nunca foram recebidos pelo Secretário Edivan Martins e que, no momento de uma Audiência Pública não vai e nem manda um representante. Os professores estão trabalhando sem contrato, sem vínculo empregatício e, no entanto, é descontado o INSS e ISS, atitude ilegal de desvio de dinheiro que pode não está sendo repassado para a previdência. Não existe dia certo para o recebimento do pagamento. Os salários estão atrasados há cinco meses. Professores desconfiam que não irão receber o 13º este ano. Não recebem o vale transporte para trabalhar e os gestores escolares ameaçam a substituição casa faltem ao trabalho. A mais grave denúncia surge a partir da real possibilidade de que, com todos esses problemas em curso, corre-se o risco de não ser possível iniciar o ano letivo em 2011. Presentes à Audiência Pública Fátima Cardoso, Coordenadora Geral do SINTE, e Vera Lúcia Messias, Diretora Jurídica do SINTE. Entre os professores denunciantes se fizeram presentes, entre outros, professor Alexandre Arruda, Professor Augusto, Professora Ofélia Fonseca, Professora Lenilda Azevedo, Professor José Edson de Araújo, Professora Magnólia Medeiros.
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