Opnião Política

Rinaldo Barros

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    EDUCAÇÃO DO FUTURO

    A conversa de hoje é uma continuação da prosa sobre educação esboçada semana passada. É incrível como as idéias resistem à mudança, em que pese a velocidade com que o mundo está se transformando à nossa volta. Senão, vejamos.

    Toda teoria sobre a educação varia sempre em função de uma "concepção da vida", refletindo, em cada época, a filosofia predominante que é determinada, por sua vez, pela estrutura da sociedade.

    É evidente que as diferentes classes, camadas e grupos de uma determinada sociedade terão respectivamente opiniões diferentes sobre a "concepção do mundo", sobre o que convém fazer com o educando e sobre o que é necessário considerar como "qualidade socialmente útil".

    A meu ver, o objetivo da educação não é mais desenvolver de maneira anárquica as tendências dominantes do educando; e o papel do professor vai muito além do esforço por “modelar os jovens espíritos”.

    A questão primordial das finalidades da educação gira, pois, em torno de uma concepção da vida, de um ideal, a que devem conformar-se as crianças e jovens, e que uns consideram abstrato e absoluto, e outros, concreto e relativo, variável no tempo e no espaço.

    Todavia, o exame, num longo olhar para o passado, da evolução da educação através das diferentes civilizações, nos ensina que o "conteúdo real desse ideal" variou sempre de acordo com a estrutura e as tendências sociais da época, extraindo a sua vitalidade, como a sua força inspiradora, da própria natureza da realidade social.

    Ora, se a educação está intimamente vinculada à filosofia de cada época, que lhe define o caráter, rasgando sempre novas perspectivas ao pensamento pedagógico, a educação atual não pode deixar de ser uma reação categórica, intencional e sistemática contra a velha estrutura educacional, artificial e erudita, montada para uma concepção ultrapassada da vida.

    Desprendendo-se dos interesses de classes a que ela tem servido, a educação, hoje, deve deixar de ser um privilégio determinado pela condição econômica e social do indivíduo, para assumir um "caráter econômico", com que ela se organiza para a coletividade em geral, reconhecendo a todo o indivíduo o sagrado direito a ser educado até onde o permitam as suas aptidões naturais. Com o objetivo econômico-social de conquistar o Desenvolvimento Humano para o conjunto da sociedade.

    A educação do futuro, alargando a sua finalidade para além dos limites das classes, assume, com uma feição mais humana, a sua verdadeira função social, preparando-se para trocar "a hierarquia autoritária" pela "hierarquia das capacidades, do talento, e do mérito", recrutadas em todos os grupos sociais para os quais se abrem as mesmas oportunidades de educação. Ela tem, por objeto, organizar e desenvolver os meios de ação durável com o fim de dirigir o desenvolvimento natural e integral do ser humano, em cada etapa de seu crescimento.

    A educação nova que, certamente pragmática, se propõe ao fim de servir não aos interesses de classes, mas aos interesses da nação como um todo, e que se funda sobre o princípio da vinculação da escola como um mecanismo de libertação, tem o seu ideal condicionado pela vida social atual, mas profundamente humano, de solidariedade e cooperação. A escola do futuro, que deve prazerosa para a infância e a juventude, deve ser também destruidora de preconceitos.

    A escola tradicional, ultrapassada, instalada para servir a uma concepção burguesa, sempre manteve o indivíduo na sua autonomia isolada e estéril, resultante da doutrina do individualismo, teve até importante papel histórico na formação da sociedade atual. Mas, o seu tempo passou, está perdida e desnorteada em relação aos novos desafios do século XXI.

    A escola do futuro, reconstituída sobre a base da atividade produtora do conhecimento científico e tecnológico, em que se considera o trabalho como a melhor maneira de estudar a realidade em geral (aquisição ativa da história e da cultura), como fundamento da sociedade humana, urge organizar-se para restabelecer, entre homens e mulheres, o espírito de disciplina, respeito, solidariedade e cooperação, por uma profunda obra social fundada na interdisciplinaridade e nas imensas possibilidades oferecidas pela tecnologia da informação.

    Resumo da ópera: dessa concepção integral e política, decorre para o Estado o dever de considerar a educação, na variedade de seus graus e manifestações, como uma função social eminentemente pública, para a qual ele é chamado a realizar com prioridade, em conjunto, e com o protagonismo de todas as instituições sociais.

    • 5 February 2011
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