A imprensa adora falar dos problemas de José Serra. Já deu Serra como morto várias vezes, inclusive na semana da crise envolvendo a escolha de seu vice. Naquela mesma semana em que foi dado como morto, Serra ultrapassou sua adversária na pesquisa Datafolha e zerou uma desvantagem de sete pontos no Ibope. A ave que representa Serra não deveria ser um tucano, mas a lendária Fênix, que ressurge das cinzas.
O que aponta em direção contrária é deixado no silêncio e na penumbra.
Sobre os problemas de Dilma Rousseff quase não se fala. Quase não se fala, por exemplo, sobre seu desempenho pífio entre as mulheres, segmento em que está 15 pontos atrás de Serra, segundo o Datafolha. Por alguma razão, a maioria das mulheres se recusa a comprar o produto “Dilma”. Não sei se é o jeito masculino dela, sua escassa feminilidade.
Não sei se é porque Dilma não consegue passar uma imagem familiar, uma imagem de mãe, filha, irmã, avó… Talvez seja isso: Dilma Rousseff não parece gente, parece um robô programado para a guerra. Parece um membro de alguma seita religiosa ou política violenta e fanática. Comparado com Dilma, Serra parece o rei da afetividade e da confiabilidade.
Outro defeitos da Sra. Rousseff é sua falta de eloqüência, sua desarticulação verbal, sua escassez de fluência. Suas frases não têm começo, meio e fim, suas afirmações muitas vezes não se completam, ficam pedaços soltos no ar, fios que não se conectam, caminhos que não levam a lugar nenhum, becos sem saída. E há um “delay”, um atraso constrangedor entre seu pensamento e sua fala. Seu discurso é cheio de buracos, ela tem que pensar muito antes de falar, seu raciocínio parece lento e arrastado. Enquanto isso, Serra é fluente, verbalmente muito articulado.
Mais um problema, sobre o qual já falei em outros artigos, é que os redutos lulo-dilmistas têm menor densidade eleitoral e índices de abstenção historicamente mais altos.
O Norte e o Nordeste somam cerca de 34% do eleitorado nacional, com abstenção de 25%, enquanto São Paulo e a Região Sul, os principais redutos de Serra, somam 38%, com abstenção de 15%. Fica clara a vantagem de Serra: mesmo que ele perca de pouco em Minas, Rio, Espírito Santo e Centro-Oeste, será eleito. A última pesquisa em Goiás deu Serra dez pontos à frente, No Espírito Santo, 7,4 pontos acima.
Já comentei também, mas vale repetir: o potencial de transferência de votos de Lula está se esgotando, segundo o Datafolha. Somente 8% declaram que votariam no candidato de Lula e não dizem votar em Dilma. Esses 8% são quase todos analfabetos eleitorais, pessoas que chegam ao dia da eleição sem a menor idéia do que está se passando. O potencial de crescimento de Dilma, portanto, parece bem limitado.
Por último, mas não menos importante (“last but not least”, como dizem os anglo-americanos), Dilma parece estar tendo uma recidiva do câncer. Seu cansaço extremo é visível. Ela não tem participado das caminhadas de sua campanha. Só participa após o fim da caminhada, já em cima do palanque. Mesmo carregando uma das mais caras maquiadoras do país a tiracolo, suas olheiras são cada vez mais visíveis. Está freqüentemente rouca. Sua lentidão e suas lacunas ao falar estão piorando. Lula pode ter colocado à frente de suas tropas um El Cid, um morto fixado sobre um cavalo.
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