Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira.
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Publicado originalmente no Blog do Barbosa. Escrito por Stella Galvão
Quem imagina, um tanto ceticamente, que a classe política potiguar só pensa em seus próprios botões e movimentos bancários, ficou pasmo diante da novidade surgida na manhã deste sábado, 16, banhado em fartas águas. Pois o tucano-mor da municipalidade, sociólogo de formação, batizado de Rinaldo Barros, discursou para uma Câmara Municipal que já conheceu melhores lotações, conclamando a um esforço coletivo para dotar Natal de uma rede neuronal mais complexa. Nas palavras de Barros, urge transformar a capital potiguar em “uma cidade inteligente”.
E como? Não, amigos, não se trata de distribuir cápsulas de compostos destinados a oxigenar cérebros recalcitrantes ao novo, ao denso, ao obscuro. Também não há planos de abarrotar as gráficas mantidas com dinheiro público de cartilha para dotar o povaréu de intimidade com os grandes títeres do pensamento em todos os tempos. Talvez, no máximo, alguma cartilha de boas maneiras ditada por uma vetusta senhora da sociedade educada em escola para domésticas de excelente coturno (modelo de botinha lindamente fashion emprestado de boutiques exclusivíssimas).
O plano de Barros é conclamar localmente homens públicos e privados a pensarem, nos alpendres das melhores casas de veraneio, uma estratégia e um planejamento destinados a usar os recursos (leia-se o dinheiro que escorre do erário, qual sistema hidráulico sem manutenção) em prol da melhoria da qualidade de vida da população. Como? Vocês lá ouviram isso tantas e múltiplas vezes provenientes da boca de políticos? Mas é claro que há um aspecto completamente inovador na fala do chefe municipal tucano. Cidades inteligentes, ele anunciou, não sem uma ponta de orgulho pelo achado, “incluem bairros seguros, escolas de qualidade, habitação acessível, tráfego sem congestionamento, energia limpa, trabalho digno, governo transparente e pessoas felizes”.
Pessoas felizes, sim, senhores. Não basta terem acesso à segurança, educação, moradia a custo não extorsivo, largas faixas de ruas e avenidas sem buracos e bem sinalizadas. É preciso que se sintam partícipes das instâncias governamentais e regulatórias, que trabalhem com afinco e alegria sem que a espada de Dâmocles lhes ameace a integridade do pescoço. Mas espere, e a saúde, onde está? Estranha lacuna essa. Talvez resida exatamente nesse ponto a novidade da proposta. Saúde como consequência de um estado de bem estar e transporte para o nirvana propiciado por dois outros tópicos do discurso. Disse Barros que uma cidade inteligente toma por bases a ética e o compromisso com o interesse público. Exortou os presentes a não mais aceitarem politicagem nem interesses privados de pessoas, famílias ou grupos. Alguns julgaram ouvir um coro de ‘amém’ seguidos de risadas nos bastidores. Céticos, claro.
Então, dotar a cidade do sol de condições dignas tem prazo para acontecer: Maio, mês das noivas, de Maria, da efeméride do trabalho. É quando será acionado o gatilho para dotar Natal de uma rede neuronal consistente, com todos os elementos listados por Barros. E o que diz a rede mundial de informações sobre o assunto? Lê-se no Google, em texto produzido na terra de Camões, que “o conceito de Cidade Inteligente é uma espécie de zona cinzenta, ou seja, um conceito que ninguém conseguiu (ainda) definir ao certo. Mas, ao que parece, em breve ficaremos com as ideias mais claras e concretas, já que segundo os planos da Living PlanIT, a primeira ‘Cidade Inteligente’ do mundo irá começar a ser construída já em 2011, aqui mesmo… em Portugal!” É ver para crer.
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