Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira.
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Recentemente, assistindo a Globo News, ouvi que nos próximos cinco anos o Brasil tornar-se-á, sem maiores esforços, a quinta economia global. Tudo leva a crer que é isso mesmo, ainda mais depois da descoberta das reservas de gás e petróleo do “pré-sal”. Por analogia, o país seguiria, no âmbito nacional, caminho semelhante ao da Petrobras, como empresa. No rumo do desenvolvimento.
Tanto que o PT não fala mais em socialismo, mas em transformar o Brasil num país de classe média!
Mas nem tudo está em nossas mãos calejadas de eleitores cidadãos, pois, embora decidamos quem vai legislar e governar, não controlamos os atos dos eleitos. Nosso voto simples vira “voto de qualidade” em suas mãos, mas não necessariamente para atender aos anseios do povo.
Minha maior preocupação não é com a capacidade de nosso país evoluir cientifica, tecnológica e economicamente, mas com a postura da maioria de nossos políticos no que se refere à evolução moral e ética.
O Brasil vai “bombar”, sim! Mas o fará ainda mais se seu povo tiver cada vez melhores condições de estudo, saúde, trabalho e segurança. O céu será o limite, então, quando não precisar mais de “Bolsa Família”.
Com o cenário externo a favor e a casa arrumada em 16 anos, fruto dos governos do Fernando Henrique, PSDB (1994 a 2002), e do Lula, PT, (2003 a 2010), com seus respectivos aliados; Dilma tem tudo para fazer um bom governo. Todavia, é preciso torcer para não haver sobressaltos na economia.
Um parêntesis: é preciso olhar, com olhos de ver, o que está ocorrendo nos EUA e na Europa: um retrocesso do Estado do bem-estar, com aumento do desemprego, reforma previdenciária e redução drástica dos orçamentos.
É sintomático que Barack Obama tenha perdido a maioria no Congresso.
Aliás, a economia, foi quem deu a base para a aliança vitoriosa a favor de Dilma. Foi a mãe da vitória petista. Os eleitores mais pobres se beneficiaram muito do fim da inflação e se esqueceram que esta situação começou no governo anterior, do PSDB, e foi herdada por Lula.
Graças ao modelo de economia concebido no governo FHC, o Brasil cresce - hoje - cerca de 7% ao ano, em ritmo chinês. Em abril deste ano, tivemos o trimestre em que o Brasil mais cresceu em décadas, e o aumento médio da renda per capita retornou ao ritmo pré-crise de 2009.
Com economia e consumo em alta, a maioria dos eleitores votou para não mudar.
Isso explica a popularidade fantástica do Lula e, principalmente, explica como - sem luz própria - Dilma elegeu-se no vácuo dessa popularidade do nosso guia.
Desconfio que, além de uma provável redução do crescimento, em nível mundial, o novo governo Dilma terá de enfrentar problemas urgentes como: 1) valorização excessiva do real; 2) falhas gravíssimas no SUS (gasta-se apenas 3,5% do PIB em saúde pública, quando seriam necessários ao menos 6%); 3) violência urbana crescente, crime organizado e fronteiras abandonadas; 4) escolas sem qualidade e juventude sem rumo; 5) apagão de força de trabalho qualificada; 6) atraso no acesso à novas tecnologias (o atual cenário da banda larga móvel no Brasil não conseguirá atender à demanda de um mega-evento como a Copa) e; 7) pouco investimento na infra-estrutura de transportes, principalmente no gargalo dos portos e aeroportos; num curto período precedente à realização da Copa do Mundo de 2014 e preparação das Olimpíadas de 2016.
Além disso, há as questões da “guerra cambial” e dos gastos públicos excessivos. O aumento da dívida pública também pode ser apontado como uma bomba de efeito retardado.
Sem se falar na questão mais importante que é o combate à corrupção, considerando os inúmeros exemplos recentes ocorridos dentro e em torno do Planalto.
No que se refere ao Rio Grande do Norte, um levantamento recente feito pelo jornal Tribuna do Norte, restrito apenas à nossa capital, aponta para o descaso dos gestores com recursos federais para obras inconclusas: 1) Aeroporto de São Gonçalo, iniciada há mais de uma década; 2) obras do Projeto Pró-Transporte, com um viaduto ligando nada a coisa nenhuma; 3) duplicação interminável da BR-101, em seus 81,4 quilômetros no Rio Grande do Norte; 4) ruínas do que seria o Hospital Terciário, na zona Oeste de Natal; 5) ruínas do que já foi um dia a Cidade da Criança, no bairro do Tirol; 6) Estação de Tratamento de Esgotos do Baldo, que foi inaugurada, mas não está operando; 7) Saneamento inconcluso do bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte de Natal. São muitos os desafios e os nós a serem desatados e; é possível antever um desgaste da gestão Dilma, no médio prazo.
Para completar, contribuindo para o equilíbrio desse processo de construção do futuro, estas eleições produziram um corredor de 10 (dez) governos estaduais de oposição (PSDB e DEM) que começa na Região Sul, pega parte do Sudeste, sobe pelo Centro-Oeste e acaba no Pará: com 71.023.787 de votos, perfazendo juntos 100 milhões de almas brasileiras ou 53,6% da população; e administrando algo em torno de R$300 bilhões.
Sem dúvida, o povo brasileiro quer e merece mais! Talvez seja por isso que o Serra disse apenas “Até logo”.
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