Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira.
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IBOPE INFORMA: SERRA 35%, DILMA 40% - Margem de erro: 3,5%
Mas, poderia também divulgar que o resultado foi: SERRA 38,5%, DILMA 36,5%.
Vamos tentar explicar melhor esse “imbróglio estatístico”.
Nestes tempos de guerra eleitoral, a formação da opinião é influenciada por algumas variáveis sutis, as quais nem sempre são percebidas pelo grande público.
Pesquisa de opinião talvez seja a mais difícil de se perceber e avaliar corretamente o seu papel numa campanha eleitoral. Cada pesquisa de opinião funciona como se fosse um retrato da realidade, definido no tempo e no espaço.
Ou seja, depende dos lugares onde as informações são coletadas (da seleção da amostragem, também conhecida como PPT – probabilidade proporcional ao tamanho, do tipo de perguntas contidas no questionário), e do tempo decorrido entre o trabalho de campo e a divulgação dos resultados.
O melhor exemplo para se entender o que é uma amostragem é o de uma cozinheira que toma uma colherada de uma panela para saber como está a feijoada naquele momento; se está boa de sal. Da mesma forma, o pesquisador busca saber como está o eleitorado naquele momento.
Esta primeira pesquisa do IBOPE realizada e divulgada nestas eleições presidenciais está correta.
O percentual de cinco por cento era realmente a diferença que separava Dilma de Serra quando esta pesquisa foi feita.
O momento da divulgação do resultado desta pesquisa do IBOPE, provavelmente, ocorreu cerca de seis dias após a coleta das informações. Coisa de estrategista político profissional
Agora, os números são outros. É como na vida, a cada momento a situação muda. Sempre.
Sem dúvida, esta é uma estratégia muito inteligente que, divulgada por veículos de comunicação poderosos, certamente influenciam grande parte do eleitorado, difundindo a sensação (falsa) de que a situação pesquisada é diferente daquela que ocorre no mundo real: um artifício que têm o condão de confundir a maioria das pessoas, não iniciadas na arte das pesquisas.
Repito: estamos lidando com profissionais qualificados.
Além dessa possibilidade estatística, é possível também fazer leituras diferenciadas dos números finais de uma pesquisa de opinião, a depender de como se calcula e aplica o percentual da margem de erro.
Explico: é possível ajustar os resultados, sem perder a credibilidade, reduzindo o número de questionários aplicados, reduzindo o tamanho da amostragem. Esta medida resulta no aumento da margem de erro. E permite que o pesquisador seja mais ousado no “ajuste” dos resultados, em sintonia com as circunstâncias de quem solicitou o trabalho.
Estes procedimentos não devem ser entendidos como fraudes ou manipulações. São possibilidades de manejos estatísticos.Todos os profissionais do ramo sabem disso.
Os clientes (candidatos) dos institutos, isso sim, é que utilizam, ou não; publicam, ou não, os resultados, de acordo com os seus interesses.
Resumo da ópera: os percentuais desta primeira pesquisa do IBOPE: Serra 35, Dilma 40; divulgados pelos veículos de comunicação, poderiam – sem modificar em nada a veracidade dos seus resultados (dentro da margem de erro de 3,5), serem ajustados da seguinte forma: Serra 38,5 e Dilma 36,5.
Acreditem: é o mesmo resultado estatístico divulgado pela Rede Plim Plim.
E o IBOPE (bem como os demais institutos) irá ajustando os resultados ao longo da campanha, e continuará acertando, com a mesma credibilidade conquistada ao longo de sua história.
Resumo da ópera: Estatística talvez não seja uma ciência, quiçá seja uma arte.
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