Opnião Política http://opiniaopolitica.posterous.com Rinaldo Barros posterous.com Mon, 06 Sep 2010 07:30:00 -0700 GOVERNO INEFICAZ E JUVENTUDE PERDIDA http://opiniaopolitica.posterous.com/governo-ineficaz-e-juventude-perdida http://opiniaopolitica.posterous.com/governo-ineficaz-e-juventude-perdida
Alguns amigos pediram para que eu tente explicar as causas dessa onda de violência que está assolando os grandes centros brasileiros, notadamente, a partir do sistema penitenciário. Peço licença para iniciar apontando alguns dados recentes sobre a nossa juventude. Estudo do IPEA aponta na direção da responsabilidade de todos nós para com o nosso futuro. Um estudo feito por uma equipe do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que mais de 05 (cinco) milhões de brasileiros entre 15 e 24 anos estão desempregados. Eles representam 48% (quarenta e oito) por cento da população acima de 14 anos que estão sem emprego, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad). O trabalho revela também, com base em dados do Ministério da Saúde, que 40% (quarenta) por cento dos óbitos por homicídios no Brasil ocorreram nessa faixa etária. Por conta dessa calamidade, 4% dos homens jovens não completam o 25° aniversário. Pelo jeito, a política assistencialista do governo Lula, e até mesmo o Bolsa Família, se mostrou ineficaz para o combate a miséria e a violência urbana. Desemprego, pobreza e violência estão associadas à trajetória dos jovens brasileiros há muito tempo. Muito mais do que se poderia suportar. A insensibilidade dos atuais governantes manteve e reproduziu essa cruel realidade. O mais estranho é constatar que o governo do PT não investiu com prioridade em segurança pública. Nem com ações preventivas, nem com políticas de ocupação de nossas fronteiras, para coibir o contrabando de armas e drogas. Por outro lado, o orçamento contingenciado para as áreas sociais insistiu, inexplicavelmente, em medidas pontuais, com ênfase na repressão, com a compra inútil de mais armas e veículos. É possível afirmar que o governo do PT fracassou no enfrentamento da violência crescente, quer pela ótica social quer pela visão atrasada sobre a questão da segurança. São 35 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, segundo o levantamento do IBGE/PNAD, dos quais 5 milhões de moças e moços, não estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. Esta é uma tendência crescente. É o esmagamento do futuro. Uma sociedade suicida. A constatação é tanto mais grave quando sabemos que esse desemprego é estrutural, ou seja, é resultado do avanço tecnológico das forças produtivas. Quanto mais moderna a empresa, menos absorve força de trabalho. O governo Lula não compreendeu que o novo padrão de acumulação do capitalismo elimina postos de trabalho e os substitui por computadores. É expressivo e rápido o crescimento da proporção dos jovens que não estudam, nem trabalham. São milhões de jovens em crise, sem qualquer perspectiva profissional. Não basta manter os programas assistencialistas via Bolsa Família e Prouni. Essa política compensatória pode ser muito boa para montar um discurso eleitoreiro, mas não é eficaz para evitar o suicídio coletivo das futuras gerações. Que fazer? Sem fazer a profecia do caos, torço para que essa onda de violência aguda possua força e capacidade para que a sociedade civil organizada saia do imobilismo, e entenda de uma vez por todas que construir escola é investimento, e construir cadeia é desperdício. Crises agudas costumam criar oportunidades, abrindo janelas para processos de ruptura. É urgente e indispensável iniciar o rompimento com a realidade vivida até este momento. O Bolsa Família deve ser mantido, ampliado, e integrado a programas de capacitação profissional, para que seus beneficiários assim não permaneçam, mas adquiram a dignidade de bom emprego. Num plano mais geral e abstrato, trata-se de determinar qual o peso que a sociedade deve atribuir à exigência de inserção social, com garantia de estudo, trabalho e renda, para os muitos milhões de jovens brasileiros. Qual o destino deles, que perspectivas podem ter e, sobretudo, de que maneira eles se relacionam com a construção de um Projeto de Nação. Mantida a inércia governista atual em termos de políticas para a Juventude (e a fraqueza da nossa sociedade civil); essas brigas de gangues e assaltos diários a que estamos somente assistindo, vão parecer brincadeira de criança frente à ira santa das massas urbanas periféricas marginalizadas, cuja caldeira já está bastante aquecida. Se a opção da maioria for realmente manter o continuísmo, terá sido a negação da luta de toda uma geração. Ou não. Talvez seja o começo de tudo.

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Sun, 15 Aug 2010 07:40:16 -0700 EVITEMOS A DECREPITUDE DOS SONHOS http://opiniaopolitica.posterous.com/evitemos-a-decrepitude-dos-sonhos-0 http://opiniaopolitica.posterous.com/evitemos-a-decrepitude-dos-sonhos-0
Cá no meu canto, tenho alertado que existem causas estruturais, objetivas, formadas historicamente, para explicar este fenômeno da popularidade do nosso Guia, em que pese todos os desmandos, mentiras, incompetências e mazelas do seu governo. Algumas pessoas inteligentes e bem informadas parecem ainda não terem percebido que, neste caso, o problema é duplo: o mensageiro e a mensagem. Em relação ao mensageiro, o leitor há de convir que a imagem do PT, em matéria de cuidado com a ética, nos oito anos do governo Lula, não foi exatamente a melhor, nem a mais desejável. Em relação à mensagem (o governo é corrupto e incompetente), relembro Mário de Andrade, em sua constatação sobre a metáfora do brasileiro como Macunaíma, o retrato cultural do povo brasileiro: índio branco, feiticeiro, mau caráter, preguiçoso, mentiroso, egoísta, gozador, capaz de rir de si próprio e de nunca perder uma piada. Terreno bastante fértil para, frente à impunidade, florescer atos de corrupção, praticados com naturalidade, sem que sejam vinculados com a questão da ética ou com a moral vigente. Um passo para aceitar e praticar a corrupção em geral. O povo brasileiro capacitou-se a conviver “espertamente” com situações adversas de exploração, violência, corrupção, miséria moral, discriminação, desemprego, analfabetismo, utilizando-se das armas ou mecanismos psicológicos os mais diversos. Além disso, Gilberto Freire ensinou que a família patriarcal determinou toda nossa estrutura social e as relações com o poder público. Formou-se sociologicamente “uma invasão do público pelo privado, do Estado pela Família”. Ou seja, o nepotismo e a corrupção eleitoral são culturalmente aceitos pela imensa maioria da população, como algo “natural”, são instituições antropológicas da nossa mestiçagem. Acrescente-se a isto o fato de que mais de setenta por cento do eleitorado é formado por analfabetos funcionais (lê, mas não entende), e ainda que os milhões de excluídos possuem apenas um único compromisso, que é consigo mesmo, com sua sobrevivência imediata. São lúmpens (pode ir ao dicionário), facilmente corruptíveis. E, sob outra ótica, relembro que a história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital internacional), aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo. Explico melhor: onde houver juro alto (entenderam agora o porquê dos juros altos?) o especulador estará lá. É o capital volátil, sem pátria e sem compromisso com o desenvolvimento. Lula, muito espertamente, vendeu a alma ao diabo mas, conseguiu apoio dos dois pólos que decidem uma eleição: 1) “conquistou” grande parte dos milhões de pobres e excluídos, com políticas compensatórias, tipo Bolsa-família e; 2) obedeceu direitinho aos ditames da banca internacional, coordenadora da especulação; ganhando a confiança de Wall Street e da Avenida Paulista. Tanto é assim que conseguiu impor uma candidata sem face, sem nenhuma experiência eleitoral anterior, rica e oligofrênica, com o passado ligado à luta armada. Será confiável? Apelando para a nossa responsabilidade histórica, é vital que façamos uma profunda reflexão sobre qual a candidatura alternativa que tem demonstrado competência ao longo de sua história, e que tem apresentado propostas concretas para o enfrentamento dos desafios nas áreas de segurança, saúde e educação. Resumo da ópera: Está provado que Macunaíma continua vivo e atuante, como Presidente e como eleitor. E somente o eleitorado, com a arma do voto, a exemplo do que fez no Plebiscito para o desarmamento, pode surpreender totalmente e optar pela alternância do poder. Oxalá! Oxalá não esteja começando a era da decrepitude dos sonhos e o fim das esperanças!

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Mon, 24 May 2010 17:23:57 -0700 SEGURANÇA É QUESTÃO DE INTELIGÊNCIA http://opiniaopolitica.posterous.com/seguranCa-E-questAo-de-inteligEncia http://opiniaopolitica.posterous.com/seguranCa-E-questAo-de-inteligEncia
O assunto deste artigo é de causar arrepios. Espero que o leitor leia com calma para não entender (errado) que estou fazendo apologia ao crime. Falo de perdas importantes, falo de cérebros desviados, falo de inteligências privilegiadas empregadas para a delinqüência. Começo lembrando que a modernização brasileira foi atravessada por questões cruciais (impactos da urbanização acelerada, aviltamento da função do professor, projeto repartido de educação, visão dominante preconceituosa em relação à pobreza, desigualdade espacial e cultural, e socialização vazia de valores universais). Mas, quero mesmo é falar sobre o seguinte: o Colégio Objetivo procurou, recentemente, superdotados entre alunos da sétima série de 51 escolas da rede municipal da cidade de São Paulo. Os escolhidos ganhariam mensalidade gratuita, aulas no curso pré-vestibular, bolsa em dinheiro e ajuda extra para desenvolver suas aptidões. Depois de meses de seleção entre uma grande fila de pretendentes, sobraram 11 vitoriosos. Como em qualquer agrupamento humano existe uma porcentagem de indivíduos com aptidões acima da média, se aquela seleção fosse estendida para todas as sétimas séries da rede municipal paulista, na qual existem mais de 500 escolas, teria revelado mais de 50 superdotados. Somente na capital de São Paulo. Pense como seria no Brasil todo. Estimulados para transformar seu potencial em alguma habilidade, a probabilidade é que se desenvolvessem acadêmica e profissionalmente. É óbvio, não é? Não. Não é óbvio. Qual seria o resultado se, em vez de apoiados para avançar nos estudos, os integrantes desse grupo permanecessem em escolas de baixa qualidade, não conseguissem emprego e vivessem em comunidades miseráveis? Provavelmente, muitos deles usariam sua inteligência e espírito empreendedor para liderar gangues, seqüestrar, assaltar ou traficar drogas e armas. Fala-se muito que a criminalidade é conseqüência de uma série de combinações sociais, culturais e econômicas. Mas quase nunca se fala que ela também é o resultado perverso da inteligência. Gênios dedicados ao crime... Nunca vi nenhum teste de inteligência aplicado entre líderes de gangues, mas o que sempre me chamou a atenção, observando crianças e adolescentes envolvidos no crime, é uma visível esperteza e rapidez de raciocínio, apuradas na seleção "natural" da rua. O chefe de gangue tem noções de táticas e estratégias que fariam dele um executivo de empresa, empresário vitorioso ou governante. Possui capacidade de liderança, trabalha muito, sob intenso estresse, com os mais variados riscos, o que exige foco, disciplina e habilidade de gestão de equipes. Ou seja, não estamos apenas desperdiçando talentos de possíveis futuros músicos, médicos, engenheiros, físicos, químicos, biólogos, professores, empresários, mas transformando-os em inimigos da sociedade, gente que nada constrói, só destrói. O custo social é dobrado. O envolvimento de adolescentes no tráfico de drogas e seu extermínio ressaltam a mais grave armadilha social brasileira: os milhões de jovens sem perspectiva. É o preço mais alto de toda a nossa história de exclusão, de deficiência escolar e de baixo crescimento econômico. Segundo estatísticas oficiais, em oito regiões metropolitanas, 27% dos jovens entre 15 e 24 anos não trabalham nem estudam. Isso significa 2 milhões de desesperançados. Justamente nesse contexto alguns dos mais empreendedores e mais inteligentes serão recrutados pelas quadrilhas. Estou cada vez mais convencido de que o problema da violência é mescla da pobreza com a destruição de laços afetivos das crianças e dos jovens; essa destruição é o que os remete para o mundo da invisibilidade. Daí que o desajuste familiar é uma das bases da violência. Resumo da ópera: o Brasil precisa aperfeiçoar e dedicar sua inteligência, tanto para combater o crime organizado, como para não permitir que os nossos jovens, por desesperança, sejam cooptados para o mal. Segurança é uma questão de inteligência.

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