Opnião Política http://opiniaopolitica.posterous.com Rinaldo Barros posterous.com Mon, 16 Aug 2010 17:30:04 -0700 MITOS E FATOS SOBRE A ELEIÇÃO http://opiniaopolitica.posterous.com/mitos-e-fatos-sobre-a-eleicao http://opiniaopolitica.posterous.com/mitos-e-fatos-sobre-a-eleicao
Do blog de Jose Roberto de Toledo Mito 1: A eleição de 2010 é governista. Fato: A eleição de 2010 é mais fácil para candidatos governistas. Consumo em alta. Emprego em alta. Popularidade em alta. É difícil para um candidato de oposição bater de frente com um governo quando a economia vai bem. O oposicionista se limita a criticar pontos específicos e a prometer continuidade no resto. Acaba com um discurso moderado ou esquizofrênico. Em ambos os casos, o discurso do candidato oposicionista é difícil de emplacar. Sem uma identidade clara, ou uma proposta que seduza o eleitor, perde terreno para os situacionistas. Com economia em alta, candidatos à reeleição muito populares ou apoiados por governantes com alta aprovação são favoritos, seja para presidente, seja para governador. Além de Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial, entram na reta final liderando as pesquisas os governadores ou seus candidatos em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. Cada um de um partido diferente. Mas favoritismo não é sinônimo de eleição ganha. Os 45 dias de bombardeio dos candidatos no rádio e na TV devem mudar alguns cenários e reforçar outros. Mito 2: recall é igual a intenção de voto. Fato: recall alto ajuda, mas não é garantia de voto na urna. Na pré-campanha, até 75% dos eleitores não têm um presidenciável na ponta da língua. Confrontados com a necessidade de apontar um candidato, escolhem, na cartela dos institutos de pesquisa, um nome que parece familiar. É uma associação da memória, não necessariamente uma escolha. À medida que a campanha avança, o grau de conhecimento sobre os candidatos aumenta, e outras associações mentais entram em jogo, como a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Dilma. Lula em 1994 e José Serra em 2010 saíram na frente nas pesquisas, mas foram ultrapassados. Ambos haviam sido presidenciáveis e tinham chegado ao 2º turno. Eram mais conhecidos que os adversários no começo da disputa. O petista perdeu a eleição. O tucano tenta repetir Fernando Henrique Cardoso, que saiu na frente em 1998, quase foi ultrapassado, mas reagiu e venceu. Mito 3: transferência de voto não existe. Fato: transferência não existe, mas transfusão ao sucessor sim. O eleitor paulista não liga muito se Lula apóia Aloizio Mercadante (PT) para governador. Mas Dilma só tem os percentuais que alcançou na corrida presidencial por causa de Lula. “Guerreira” é o atributo que os marqueteiros tentam lhe atribuir, não é o motivo de sua ascensão nas pesquisas. Se Dilma, sem experiência nem marca própria, for eleita, entrará para uma galeria que já tem Celso Pitta, Luiz Paulo Conde, Fleury Filho, Lucas Nogueira Garcez e Rosinha Garotinho. Com exceção da última – casada com o criador-, as demais criaturas romperam com os que lhes deram a transfusão eleitoral necessária para nascerem politicamente. Mito 4: Minas Gerais vai decidir a eleição. Fato: nenhum colégio eleitoral sozinho define eleição presidencial. Não adianta um candidato a presidente ir muito bem em um ou outro Estado, e perder feio nos demais. Por maior que seja o seu reduto eleitoral, o presidenciável, para ter chance, precisa ter pelo menos 30% dos votos na maioria das unidades da Federação. E isso se houver mais de dois candidatos no páreo. No 2º turno, é preciso um percentual ainda maior na maioria das UFs. Mito 5: Pobre vota em Dilma, rico vota em Serra. Fato: o condicionante do voto nesta eleição é regional, não socioeconômico. Os ricos do Nordeste preferem Dilma a Serra, assim como boa parte dos pobres paulistas e paranaenses, por exemplo, preferem Serra a Dilma. A divisão regional do voto para presidente ainda não foi totalmente explicada, mas vai além de uma causa única, como programas assistencialistas. Passa pela inclusão dos eleitores no maravilhoso mundo do consumo. Mito 6: todo eleitor que aprova o governo votará no seu candidato. Fato: apenas os eleitores que dão notas mais altas a um governo votam em peso no seu candidato. “Ótimo” não é a mesma coisa que “bom”. O eleitor usa graduações diferentes para expressar sua opinião sobre uma administração. Até a semana passada, Dilma só ganhava de Serra entre os eleitores que dão nota 8 ou superior ao governo Lula. Muitos eleitores dão nota 7 ao presidente, mas votam na oposição. Conscientemente. Mito 7: quanto mais aparece, mais o candidato cresce. Fato: a superexposição não ajuda todos os candidatos. Serra priorizou sua campanha no Nordeste. Dilma ampliou sua vantagem na região. O tucano passou a visitar semanalmente Minas Gerais. A petista virou entre os mineiros. Uma hipótese é que ao intensificar sua campanha em redutos lulistas, Serra passou a ser visto como oposicionista por mais eleitores e perdeu votos. “Ciro” é o nome de urna de um dos candidatos ao Senado em São Paulo. Ele é assim apresentado nas pesquisas, e chega a quase 20% das intenções de voto. O que ocorrerá quando os eleitores descobrirem que seu sobrenome é Moura? Mito 8: pesquisa define eleição. Fato: pesquisa influencia eleição, mas não a define. As pesquisas de intenção de voto influenciam o espaço de cada candidato na cobertura de imprensa, se eles participam ou não de debates, o quanto arrecadam de financiadores de campanha, o moral dos comitês e dos militantes. Mas não determinam quem ganha ou perde. Fosse assim, não haveria viradas. Quem saísse na frente ganharia sempre. Mito 9: o horário eleitoral é gratuito e democrático. Fato: o horário eleitoral não é gratuito nem democratiza a eleição. O pagamento pelo horário eleitoral na TV e no rádio sai do seu, do meu, do nosso bolso, via créditos fiscais que as emissoras recebem pela cessão do tempo em sua programação. A Receita Federal estima que deixa de arrecadar R$ 128 mil por minuto de propaganda eleitoral. Isso significa que apenas a campanha presidencial no 1º turno custará R$ 163 milhões aos cofres públicos. Fora as campanhas de governador, senador e deputados. Além disso, os candidatos investem um bom dinheiro na produção dos programas de TV e rádio. Até 8 de agosto, antes portanto de o horário eleitoral começar, apenas o comitê de Dilma Rousseff (PT) já havia gastado R$ 4,5 milhões com os programas. Gratuito para quem? A divisão do horário eleitoral é tão favorável aos grandes partidos que seu efeito sobre as candidaturas nanicas é quase nulo, senão negativo. Tome-se o exemplo de Heloisa Helena, em 2006. A candidata a presidente do PSOL tinha o equivalente a 12% dos votos válidos em 8 de agosto (Datafolha), antes de a propaganda eleitoral começar. Ao final da apuração, tinha 6,9% dos votos válidos.

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Wed, 23 Jun 2010 17:00:15 -0700 O grito de Zé Ninguém http://opiniaopolitica.posterous.com/o-grito-de-ze-ninguem http://opiniaopolitica.posterous.com/o-grito-de-ze-ninguem
A repetição das calamidades generalizadas provocadas pelas enchentes confirma o que há tanto tempo já se podia prever. Se hoje os estragos são imensos e os mortos se contam aos milhares, não tardará o dia em que os flagelados e os mortos totalizarão milhões. Somos incapazes de aprender com nossos erros? As advertências cada vez mais dramáticas da Natureza de nada valem? O Nordeste é uma região com 1.548.672 km2, três vezes o tamanho da França, mais ou menos do tamanho do México, equivale a 18,2% do território brasileiro, onde vivem 30% da população, cerca de 50 milhões de habitantes. Esta população é igual às da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, somadas. Apesar da progressiva melhoria, o Nordeste ainda mantém de longe o maior nível de pobreza e o menor nível de renda do país. Poucos líderes políticos possuem clareza sobre a dimensão e a importância do Nordeste. Menos ainda sabem de sua potencialidade econômica, do que nossa gente seria capaz, desde que tivesse efetivo apoio governamental, assistência técnica, crédito e condições para produzir. Por que é tão difícil entender que o Nordeste não é problema? O Nordeste é solução para o Brasil. Basta que se inverta a tendência da política econômica que foi imposta à região. E, ao invés de ter o monetarismo (especulações) como base, apostar no desenvolvimentismo. O governo federal deveria, pelo menos, cumprir os valores destinados a investimentos em infra-estrutura, crédito e assistência técnica. Com certeza, o Nordeste superaria sua condição de ser o detentor do maior nível de pobreza e do menor nível de renda do país. Na contramão da racionalidade, e agindo com descaso para com o Nordeste brasileiro, o governo federal investiu apenas 14 por cento do que estava previsto no OGU para ações de prevenção ambiental em áreas de risco (contenção de encostas, drenagem superficial e subterrânea, desassoreamento, retificação e canalização de rios e córregos), o que – sem dúvida - teria evitado as recentes tragédias com as enchentes em Alagoas e Pernambuco. Segundo o site da Ong Contas Abertas (http://contasabertas.uol.com.br), “Alagoas – o estado mais atingido pelas cheias dos rios nos últimos dias – não recebeu um centavo do governo federal para prevenção em 2010. Já Pernambuco, também castigado pelas fortes chuvas dos últimos dias, recebeu menos de 1% do total repassado pelo Ministério da Integração, por meio do programa de prevenção; somente R$ 172 mil”. Ou seja, as dificuldades para realizar ações concretas de prevenção são mais políticas do que técnicas. Segundo levantamentos preliminares do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), junto às coordenações estaduais de defesa civil, em Pernambuco, 53 municípios declararam situação de emergência. São 17.719 seres humanos desabrigados, 24.301 seres humanos desalojados e 13 óbitos. Em Alagoas são 22 municípios atingidos, com 32.335 seres humanos desalojados, 25.843 seres humanos desabrigados e 19 mortes. De quem é a culpa? A culpa não é de Deus nem da Natureza, mas da ausência de planejamento e da falta vontade política efetivamente voltada para a construção da dignidade do povo nordestino. Senão vejamos. O Estatuto da Cidade – mais um exemplo de lei que não pegou no Brasil – obriga a todos os municípios com mais de 20 mil habitantes a construir um Plano Diretor e a realizar estudos geotécnicos que definam com clareza quais são as áreas de risco e quais as áreas de interesse social, para o devido uso e ocupação do solo urbano. O governo federal e as administrações das cidades devastadas pelas águas em Alagoas e Pernambuco foram irresponsáveis e não cumpriram a legislação em vigor! Na verdade, ao lado dessa brutal ausência de responsabilidade para com o interesse público, é possível constatar – atanazando a vida do brasileiro – estradas esburacadas, aeroportos sucateados, saúde pública caótica, juventude sem rumo, insegurança e criminalidade crescentes. A pior tragédia, entretanto, é que Zé Ninguém, em seu desamparo, não consegue perceber que foi e está sendo enganado e explorado em todas as dimensões de sua vida. Resumo da ópera: pela incapacidade de demonstrar indignação, pela ignorância bíblica, por não ter sequer voz para gritar sua miserável condição; contraditoriamente, Zé Ninguém continua aprovando o governo Lula, como se as calamidades fossem obra do destino ou da vontade de Deus. Que o leitor considere este artigo um grito de Zé Ninguém, e que tenha força de ecoar na consciência na hora de votar.

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