Opnião Política http://opiniaopolitica.posterous.com Rinaldo Barros posterous.com Sun, 05 Sep 2010 11:20:00 -0700 A MENTIRA COMO MÉTODO E COMO ARMA POLÍTICA http://opiniaopolitica.posterous.com/a-mentira-como-metodo-e-como-arma-politica http://opiniaopolitica.posterous.com/a-mentira-como-metodo-e-como-arma-politica
A farsa montada pelo governo para tentar culpar Verônica Serra pela violação do próprio sigilo fiscal tinha um tempo de duração. E então muitos leitores me perguntam, cheios de justo espanto: “Reinaldo, por acaso eles não sabiam que a verdade acabaria aparecendo, que seria possível provar a falsidade da assinatura e até a do reconhecimento de firma?” Respondo: Claro que eles sabiam! É que estamos diante da aplicação de uma das teorias da comunicação, usada com desenvoltura por canalhas: - espalhe a mentira: - insista nela; - faça com que ela pareça ter o mesmo peso da verdade; - transforme tudo numa mera guerra de versões Resultado: uma parte da opinião pública desiste do caso no meio do caminho e se conforma com a mentira. Para essa gente, não levar a mentira ao ar seria pior: todos ficariam expostos só à verdade. E a verdade não lhes interessa. Há estudos a respeito da eficácia desse procedimento — estudos críticos, claro! Os que têm compromisso com a verdade usam esse saber para tentar desvendar as farsas oficiais. Os que não têm o fazem para construir farsas oficiais. Ademais, não lhes digo nenhuma novidade. A máxima atribuída a Goebbels, o ministro da propaganda do nazismo, fala por si: uma mentira repetida muitas vezes vira verdade. Então não tem sido assim? Pensem bem: então não tem sido mesmo assim? Não tem sido essa a lógica de comunicação do governo Lula nesses quase oito anos? O expediente empregado para tentar destruir os adversários, convertidos em inimigos, é o mesmo que serve à glorificação de seus feitos. Mente-se de forma organizada, determinada, obsessiva, sobre o passado. Mente-se de modo não menos organizado, determinado e obsessivo sobre o presente. Mentiras já começam a ser construídas, diga-se, com vistas ao futuro. Todos vimos o desempenho da presidenciável Dilma Rousseff no Jornal da Globo: - inventou que Lula colaborou para libertar presos políticos cubanos — falso: o Babalorixá colaborou para que ficassem presos, comparando-os a bandidos; - inventou que o governo e o PT sempre consideraram as Farc ligadas ao crime — falso: o PT manteve relações com as Farc; ela mesma empregou a mulher de um narcoterrorista; - inventou que o Brasil ficou 25 anos sem investir, antes do governo Lula — falso: FHC investiu uma porcentagem maior sobre o PIB do que Lula. É tal o descompromisso com a verdade que se pode mentir até sobe temas aparentemente irrelevantes. Dilma montou uma loja de porcariada importada em fevereiro de 1995 e fechou as portas em setembro do ano seguinte: incompetência como comerciante. Só isso. Segundo ela, quebrou por causa da desvalorização cambial. Que desvalorização? Durante um bom tempo, o real esteva mais forte do que o dólar, um paraíso para importadores. Quando ela fechou seu empreendimento de vender cacarecos do Panamá, a proporção era 1 por 1—- um dólar igual a um real —, e não três por um, como ela disse. Nesse caso, acho que a ignorância colaborou com a mentira. Foi mentindo de modo compulsivo que o governo Lula conseguiu criar uma herança maldita que nunca existiu — incluindo o “descontrole da inflação”, estupidez que buscava expropriar FHC e o governo anterior de seu principal ativo, aquilo que realmente alterou a estrutura da economia brasileira e a tirou da rota da estagflação — estagnação com inflação: o Plano Real. Lula bateu a carteira dos programas sociais do governo FHC, reuniu-os num só e lhes deu novo nome. E proclamou: nunca antes nestepaiz… Lula foi beneficiado pela quase triplicação do preço de commodities brasileiras, origem das reservas que se acumularam — e transformou esse evento num fantástico aumento de exportações, que também não aconteceu. Lula anunciou uma revolução nas universidades federais, que nunca houve. E usou a máquina oficial, de modo sistemático, durante oito anos — com o apoio de sindicatos e dos movimentos sociais —, para destruir o legado alheio. Um império da mentira! É claro que contou com a ajuda de setores da imprensa. Elio Gaspari, por exemplo, foi um dos que ajudaram a fazer a sua fama entre setores pensantes — ou que pensam que pensam. Este gigante foi o primeiro a proclamar, por exemplo, a superioridade do “modelo Dilma” de concessão de estradas: é aquele que mata cobrando pedágio barato. Mas isso fica para texto específico — sobre Gaspari, não sobre estradas. Então é tudo mentira? Ou: método! Então é tudo mentira no governo Lula, e a população é imbecil e endossa um governo ruim? É claro que não! Quem deve pensar isso a respeito da população de São Paulo são os petistas. Eu, por exemplo, nunca escrevi algo assim. O que não aceito é que se recorra à mentira para destruir feitos alheios e inflar os próprios. Não acredito nesse tipo de política. Não acredito no “quanto pior, melhor”, opção que o PT ainda faz em São Paulo, por exemplo, onde nega — e combate — conquistas óbvias na educação, na saúde, na segurança, na infra-estrutura. Em entrevista ao Estadão, Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado, afirmou que São Paulo cresce menos do que o Brasil. É mentira! Cresce mais desde 2004. O que estou lhes dizendo é que a mentira é usada como método, o que caracteriza um descarado cinismo. E a prática, o que é espantoso, passou a ser encarada como coisa corriqueira, normal, própria da política, por amplos setores da imprensa. Volto ao caso Verônica Serra. Vejam a hora em que foram publicados textos no chamado jornalismo Online. Só no fim da tarde se admitiu o óbvio: tudo não passava de uma trapaça. Durante horas, a mentira espalhada pela Receita ficou no ar, exposta a milhares de leitores — muitos deles se deram por satisfeitos com ela. E governo, Receita e petistas colheram, então, os frutos da mentira. O que leva um órgão oficial a tornar público um documento que já se sabia falso (ver post sobre reportagem do Estadão)? O que leva o líder do governo no Senado, como fez Romero Jucá (PMDB-RR), a anunciar que seria apresentada a “prova” de que a própria Verônica havia pedido a quebra do sigilo? Convicção de que falavam a verdade? Ah, não! Jucá pode não ser, assim, um bom guia de educação moral e cívica, mas besta ele não é, muito pelo contrário. Ou não teria chegado tão longe — e ele sempre chega longe demais pouco importa quem esteja no governo. A seu modo, é um homem esperto.| Não! Este não é apenas um governo viciado na mentira, que a exerce de modo compulsivo. Também é. Este é um governo que faz da mentira um método: mente-se sobre o passado, mente-se sobre o presente, mente-se sobre o futuro, mente-se sobre a biografia de seus heróis, mente-se até para contar a história da falência de uma lojinha de cacarecos de Dilma Rousseff, candidata a governar os cacarecos morais do Brasil. Por Reinaldo Azevedo

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Wed, 01 Sep 2010 14:32:00 -0700 Receita reconhece fraude em documento de filha de Serra http://opiniaopolitica.posterous.com/receita-reconhece-fraude-em-documento-de-filh http://opiniaopolitica.posterous.com/receita-reconhece-fraude-em-documento-de-filh
Brasília - O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, reconheceu hoje (1º) que houve fraude na procuração que foi usada para quebrar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. Segundo Cartaxo, o caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal. Em comunicado lido nesta quarta-feira (1ª), Cartaxo afirmou que Verônica Serra não reconheceu como sendo dela a assinatura na procuração, que também não tinha reconhecimento de firma pelo cartório do 16º Tabelionato de Notas de São Paulo. "A mídia já noticia que a senhora Verônica Allende Serra não confirma a assinatura e que também o cartório não reconhece o reconhecimento da firma da contribuinte. Em face disso, hoje, às 14h, foi entregue ao Ministério Público Federal o documento original porque, diante desses fatos, aconteceu a falsificação de documento público federal e cabe à PF [Polícia Federal] a apuração do fato". O secretário disse que no dia 30 de setembro do ano passado houve o atendimento, na agência de Santo André, do pedido de acesso às declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra, referentes aos anos de 2007 a 2009. Segundo Cartaxo, um requerimento padrão de pedido foi apresentado por Antônio Carlos Atella Ferreira. O documento tinha firma reconhecida de Verônica Serra "sem sinal de fraude ou adulteração". O secretário informou que as declarações de imposto de renda da filha de José Serra foram entregues a Ferreira no mesmo dia.

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Tue, 31 Aug 2010 17:57:13 -0700 UM GOVERNO SEM PUDOR NEM LIMITES http://opiniaopolitica.posterous.com/um-governo-sem-pudor-nem-limites http://opiniaopolitica.posterous.com/um-governo-sem-pudor-nem-limites
Por Reinaldo Azevedo O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, voltou a acusar o PSDB de transformar em “palanque eleitoral” o episódio da violação dos sigilo fiscal de dirigentes do partido e de criar “factoides” em torno das investigações conduzidas pela Receita Federal. “Eles não conseguem fazer palanques nos Estados, ficam criando palanques fictícios”, alfinetou Padilha, em alusão à debandada de aliados da oposição para a campanha presidencial da candidata do PT, Dilma Rousseff, diante da escalada dela nas pesquisas. O ministro fez as declarações ao deixar o Congresso, onde acompanhou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na entrega do projeto de Lei Orçamentária para 2011. Padilha afirmou, ainda, que a Receita Federal vai cumprir todos os procedimentos relativos à investigação da denúncia de ampla violação de sigilos fiscais, que atingiu pessoas ligadas ao alto comando do PSDB, bem como outras alheias à esfera política, como a apresentadora da Rede Globo, Ana Maria Braga. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, não teve acesso à íntegra dos autos da sindicância interna conduzida pela Receita Federal para investigar o caso, apesar da determinação da Justiça Federal. O jornal revelou que 13 volumes do processo não foram entregues ao dirigente tucano. “A Receita vai cumprir todas as determinações do juiz. O governo não admite irregularidades como essas”, assegurou Padilha, em alusão ao esquema de violação generalizada de sigilos fiscais que veio à tona, após a denúncia de Eduardo Jorge. Entretanto, embora o órgão tenha passado a sustentar a existência de um “suposto balcão de compra e venda de informações” e “pagamento de propina” na delegacia do Fisco em Mauá, na região do ABC paulista, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que essa versão não constou do relatório entregue ontem ao Ministério Público. O documento pediu o indiciamento de duas funcionárias daquela delegacia investigadas por violar o sigilo fiscal de quatro tucanos. Comento É claro que aparência nem sempre quer dizer alguma coisa. Mas, às vezes, é uma boa metáfora. Acabo de ver esse Padilha na televisão. Acreditem: ele ainda vai fazer 39 anos — no próximo dia 14. É o ministro mais novo de Lula. Parece ter, sei lá, uns 20 anos a mais. Digo que sua aparência envelhecida é uma metáfora porque não pode haver nada mais antigo do que este senhor. O que se vê acima é o governo no auge da indignidade. Culpar a vítima é a essência do despotismo. Não por acaso, há fábulas a respeito — e a mais conhecida é a do lobo que come o cordeiro depois de acusá-lo de turvar as águas do rio em que ambos bebem. A vítima provou que a acusação era falsa, já que bebia rio abaixo. O lobo só queria um pretexto, não um argumento racional. Essa fábula é a síntese da truculência. Isso evidencia quão antigo é este rapaz. Todos já sabemos que o sigilo de Eduardo Jorge estava em mãos de petistas envolvidos com a campanha de Dilma. Isso é fato. Todos sabemos que dados distorcidos daquele domingo circulavam nos blogs que trabalham para o PT — alguns deles financiados com dinheiro que é público. Isso também é fato. E por que os tucanos foram alvos da canalha? Ora, por que ousaram beber água no mesmo rio em que bebia o PT, vale dizer: porque ousaram se opor ao partido. Se é assim, então tem de ser engolidos. E Padilha não tem pejo em acusá-los, já que são as vítimas, entenderam? Este é mesmo um governo sem pudor nem limites. E escalaram o mais jovem dos ministros para ser a face visível do lobo ancestral. Não sei qual será o resultado das eleições — “eles” e alguns coleguinhas meus dizem saber… O que sei, aí sim, é que, seja qual for o desfecho DESTA DISPUTA, a luta continua, como se dizia antigamente… Qual luta? Em defesa da democracia e do estado de direito. E isso significa enfrentar o lobo e devolve-lo à floresta.

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