Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira.
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Prepara-se uma verdadeira força-tarefa — que pretende, acreditem!, ser, antes de tudo, ética!!! — para tentar preservar a petista Dilma Rousseff de si mesma e de suas próprias opiniões. E a imprensa, especialmente a escrita, será o principal campo de operações — e, dali, para a Internet. O grito de guerra já foi dado pelo colunista Elio Gaspari numa notinha curta no domingo. Já chego lá. Ontem, nas suas aparições na TV, a candidata do PT à Presidência fez questão de declarar que é a favor da vida, o que, convenham, é, em sim, uma afirmação estupenda. O contrário, por óbvio, corresponderia a alinhar-se com a morte.
Todos entenderam por que ela fez isso. O PT está convicto de que uma parcela do eleitorado, ao saber, primeiro pela Internet, o que Dilma realmente pensava sobre o aborto, desembarcou de sua candidatura. A informação, de fato, circulou antes na rede, embora as suas declarações mais enfáticas em favor da descriminação e da legalização do aborto tenham sido dadas a um jornal — a Folha — e a uma revista, a Marie Claire. Gaspari, evocando pruridos éticos e apelando até à memória de Ruth Cardoso, chamou esse debate de baixaria. É? Coisa do andar de cima moral é fazer dossiê contra a mulher de um ex-presidente que era um exemplo de correção, não é mesmo?
Ao falar em Ruth, o colunista está atribuindo a “operação” ao PSDB, o que é falso como nota de R$ 3. Ele é o “Nosso Guia” de muitos epígonos na profissão; outros o seguirão na ladainha, acusando o debate de ser “conservador”, “reacionário”, “baixaria”, “irrelevante”. Digamos que estivéssemos mesmo diante de uma irrelevância (para mim e para outros cristãos, não é!!!), cabe a pergunta: quer dizer que esses setores da imprensa pretendem censurar uma VERDADE IRRELEVANTE sobre Dilma, mas jamais censuraram as MENTIRAS RELEVANTES que os petistas contam sobre o governo FHC, por exemplo? Que diabo de critério ético é esse?
Quando a campanha do PT diz que Lula assumiu o governo “com a inflação fora do controle”, o que é uma mentira estúpida, qual a reação? “Ah, política é assim mesmo; o PSDB que responda!” Algum pito na companheira quando sugere que o Brasil vivia um verdadeiro caos social na gestão tucana, que não se importaria com os pobres? Nada! Silêncio sepulcral. Alguém deu algum pito em Aloizio Mercadante por causa de sua campanha bucéfala contra a suposta “aprovação automática” em São Paulo? NADA!!!
ATENÇÃO PARA AS FRASES: PARA ESSA GENTE, AS VERDADES DITAS SOBRE DILMA SÃO REACIONÁRIAS; JÁ AS MENTIRAS DITAS SOBRE OS TUCANOS SÃO PROGRESSISTAS.
E, agora, em nome da ética, esses decorosos vêm acusar “baixaria” e cobrar “debate elevado”? Que tipo de sublime elevação pode haver numa máquina de propaganda que constrói todo o seu edifício retórico numa mentira, a saber: “O Brasil vivia nas trevas e de lá foi resgatado pelo PT, ignorando a óbvia continuidade do governo”. NEM MESMO A IDÉIA DE UNIFICAR OS PROGRAMAS SOCIAIS É DE LULA! ELE PRÓPRIO ADMITE EM VÍDEO QUE A IDÉIA LHE FOI DADA POR UM GOVERNADOR TUCANO (ver posts abaixo).
Está em curso uma operação para blindar Dilma Rousseff. O PT tem todo o direito de tentar. E alguns colunistas têm o direito, claro!,de entrar na corrente de propaganda. E eu tenho o direito de chamá-los por seus respectivos nomes. Não foi o PSDB que levou Dilma Rousseff a dar aquelas entrevistas. Ela o fez porque quis e porque considerava, até abril do ano passado, que aquilo era o certo. Demonstrou-o, diga-se, em atos, quando sua pasta deu o “ok” ao decreto que continha o Programa Nacional dos Direitos Humanos, em que o aborto aparece como um “direito humano”, o que certamente assombraria o mundo.
Dilma, agora, se diz “a favor da vida”. Muito bem! Só pode estar se referindo ao aborto. Em sua afirmação, pois, está contida a idéia de que defender a descriminação é estar contra a vida — de onde se deduz, e estou num exercício puramente lógico, que ela era contra a vida ao menos até abril de 2009, quando falou à revista Marie Claire.
De súbito, vejo alguns coleguinhas muito preocupados com “propostas”. E dizem: “Ah, esse negócio de aborto não tem importância. Por que não discutimos o Brasil?” Muito bem! Comecemos, então, por não mentir sobre o Brasil que o PT herdou e que deixará como herança. Eu topo deixar de lado essa suposta “verdade irrelevante” se os petistas pararem com suas “mentiras relevantes”. Vejam que é uma troca que evidencia a minha generosidade: com ironia, digo que eu até abriria mão do direito de dizer essa verdade sobre eles se eles cumprissem a obrigação de não dizer mentiras sobre os outros.
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